Cientistas lamentam que avanços sobre HIV não sejam utilizados na prática

Os organizadores da 4ª Conferência Internacional sobre Patogêneses e Tratamento do HIV, inaugurada hoje em Sydney com a presença de sete mil especialistas, lamentaram que os avanços nas pesquisas sobre o vírus da aids não sejam utilizados para efeitos práticos.

“A ciência nos deu os instrumentos para prevenir e tratar o HIV de forma efetiva, mas o fato de não termos colocado em prática é um fracasso vergonhoso”, disse Pedro Cahn, co-presidente da conferência e diretor da fundação Huésped, na Argentina.

Cahn afirmou que os países pobres sofrem com a carência de medicamentos e métodos preventivos. Para ele, o acesso universal deve ser uma prioridade para 2010.

“Menos de um terço das pessoas que convivem com o HIV em países de baixa renda e recursos têm acesso a medicamentos que podem salvar-lhes a vida, e ainda menos têm acesso a serviços de prevenção, como preservativos e seringas esterilizadas”, disse Cahn, que divide a Presidência com o australiano David Cooper.

O francês Michel Kazatchkine, diretor-executivo do Fundo Global de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, afirmou que apenas 2,2 milhões de pessoas infectadas pelo vírus HIV recebem tratamento.

“Estes 2,2 milhões que têm acesso (ao tratamento) são apenas 28% do total de pessoas infectadas no mundo todo”, disse.

Cerca de 40 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus da aids. De acordo com Kazatchkine, “em 2015, o número de infectados será de 60 milhões de pessoas, se o esforço para prevenir não aumentar”.

O diretor-executivo do fundo contra a aids disse que US$ 9,5 bilhões serão destinados à luta contra a doença este ano, e considera necessário que a verba duplique em 2008 e seja de mais de US$ 22 bilhões em 2010.

Os especialistas declararam que a conferência em Sydney não deve deixar de lado os aspectos políticos, como os tratados definidos este ano na Conferência Internacional sobre Aids, realizada este ano no Canadá.

“É nossa responsabilidade como pesquisadores desenvolver tratamentos para o HIV que garantam que a pesquisa sobre prevenção e ciência clínica, além da construção de capacidades e a ciência básica, continuem avançando nos países mais atingidos”, disse Cooper, também diretor do Centro Nacional de Epidemiologia e Pesquisa Clínica sobre o HIV da Austrália.

Um total de 6,7 mil especialistas de mais de 130 países discutirá de hoje a 27 de julho o desenvolvimento de novos tratamentos para pessoas com o vírus HIV que desenvolveram resistência às medicações existentes, entre outros assuntos.

Também serão apresentadas novas estratégias de prevenção biomédica, como os microbicidas para as mulheres, a circuncisão para os homens e o uso de anti-retrovirais para prevenir as infecções.

Todos eles compartilharão novos conhecimentos sobre patogêneses do HIV e os mecanismos através dos quais o vírus causa a imunodeficiência.

Um dos outros objetivos da conferência é analisar as implicações de tratar pessoas com idade avançada afetadas pela aids e assuntos relativos a tratamentos pediátricos.

O ministro da Saúde da Austrália, Tony Abbott, esteve presente na sessão de abertura e reafirmou o forte compromisso australiano no combate à aids.

A conferência, organizada pela Associação Internacional de Aids (IAS) e pela Sociedade da Australásia para a Medicina de HIV (ASHM), é considerada a mais importante do mundo sobre o assunto.

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