Devemos Continuar Usando o IMC (BMI) como um Marcador de Risco de Doença Cardiovascular?
- terça-feira, setembro 7, 2010, 21:41
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Um estudo, publicado no número de 28 de agosto da revista Lancet, questiona a relação entre o IMC (Índice de Massa Corporal) e riscos cardiovasculares. Este trabalho, de autoria de pesquisadores da Mayo Cllinic, ochester, Estados Unidos, compreendeu uma meta-análise de 40 estudos envolvendo 250.152 pacientes com doença arterial coronária. Os desfechos (outcomes) estudados foram os aparecimentos de eventos cardiovasculares e mortalidade.
Os dados foram conflitantes, ou mesmo inesperados, porque mostraram que os pacientes com baixo IMC e doença cardiovascular prévia, tinham maior incidência de morte e de acidentes coronários. Pacientes com sobrepeso tinham melhores taxas de sobrevivência e menor número de acidentes cardiovasculares.
A análise estatística demonstrou que a relação entre IMC, obesidade e riscos cardíacos só eram consistentes nos casos de pessoas com obesidade mórbida que tinham algum tipo de disfunção cardíaca prévia. Nos demais casos não houve associação. Uma das explicações para isso é que o IMC não diferencia, por exemplo, gorduras e fibras musculares.
A respeito destes dados, um dos autores, Dr. Francisco Lopez-Jimenez declarou: “em vez de provar que a obesidade é sem risco, o que ficou demonstrado com os nossos dados, é que precisamos procurar métodos alternativos para caracterizar os indivíduos que tem realmente excesso de gordura.”
E concluiu: “o IMC pode está aumentado por causa do excesso de tecido muscular, que pode ser decorrente de uma maior atividade física recomendada nos cardíacos”.
A pesquisa de meta-análise compreendeu dados que foram coletados entre 1980 e 1990 e a média de seguimento dos pacientes foi de 3,8 anos.
No mesmo número do Lancet, a Dra Maria G.Franzosi, do Instituto Maria Negri de Milão, Itália, pergunta: “será que o debate entre IMC e o mortalidade se encerrou?”. E ela mesma responde: “este estudo não traz novidades, mas podemos dele extrair boas informações. Uma delas, é que o IMC deve ser deixado de lado, como um marcador clínico e epidemiológico de doença cardiovascular, tanto na prevenção primária como secundária, pois o IMC não é uma boa medida da gordura visceral, o fator chave determinante das alterações metabólicas.”
Um outro estudo, realizado em 52 países (INTEHEAT), tem procurado determinar que outras medidas são mais eficazes do que o IMC na determinação da gordura visceral e na sua relação com doenças cardíacas. Os indicadores estudados são: cintura abdominal, relação cintura/quadril e medida do quadril.
Em todos os grupos étnicos estudados, a razão cintura/quadril foi o melhor preditor de infarto do miocárdio e esta relação é três vezes melhor do que o IMC.
No entanto, um artigo publicado no NEJM, em 24 de agosto, defende o valor do IMC na predição de mortalidade e de eventos cardiovasculares.
O Dr. Josivan Lima, da editoria do site, acredita que este trabalho “tem mais valor estatístico porque estudando duas populações diferentes, chegou a conclusões semelhantes: que o BMI é bom (já que até sobrepeso aumentou risco de MOTE, e não só de IAM como avaliado no Intraheart por exemplo). Acho a relação cintura/altura um indicador interessante que não usamos no dia-a-dia”.
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