Implicações Clínicas da Leptina na Anorexia Nervosa

A publicação online do Nature/Molecular Biology apresenta na sua última newsletter, um artigo com o título acima. Os autores são J. Hebebrand, T D Muller, K Holttkamp e B Herpetz-Dahalmann que trabalham no Departamento de Psiquiatria da Criança e do Adolescente de universidades alemãs (Essen e Aachen).

A leptina foi descoberta em 1994 e o nome deriva da palavra grega – leptos – que significa magro. Os estudos iniciais foram realizados em camundongos obesos do tipo ob/ob, que perdiam o tecido gorduroso com a administração da substância. Daí o nome. Numerosos estudos, desde então vem sendo feitos sobre o seu papel na obesidade.

Como outros hormônios, a leptina é secretada de uma forma pulsátil, com um ritmo nictemeral; 50 % da sua secreção é noturna e está relacionada com as ondas lentas cerebrais e a hora da alimentação. A concentração de leptina, ainda, se correlaciona com quantidade de tecido gorduroso, sendo que os seus níveis são mais baixos nas pessoas magras. As mulheres, têm valores mais elevados do que os homens. Após a administração de leptina elas apresentam valores mais elevados, que se normalizam após 36 horas, quando os dois sexos têm valores equivalentes. As concentrações de leptina caem 75% após um jejum de 2.5 dias.

A anorexia continua sendo uma doença misteriosa, de difícil tratamento e cura, como demonstra a experiência dos especialistas do mundo inteiro.

Em 1966, foi proposto que a leptina teria um importante papel na regulação do sistema neuro-endócrino durante a fome. A aplicação da leptina exógena, durante experimentação de jejum prolongado, mostrou que ela é capaz de evitar as alterações nos vários eixos hormonais de roedores. As funções dos seguintes eixos fsisiológicos, que estavam alteradas foram normalizadas com o uso da leptina.

• Eixo hipotálamo-hipófise-gonadas
• Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal
• Eixo hipotálamo-hipófise-tireóide
• E em fêmeas foi capaz de normalizar a ovulação

Em humanos, a fome altera estes eixos e ocorre:

• Diminuição do gasto energético
• Aumento da eficiência do trabalho muscular
• Diminuição do tônus da atividade do sistema nervoso simpático
• edução na concentração de leptina, tiroxina e tri-iodotironina


Estas alterações agem de uma forma coordenada para favorecer o ganho de peso. A administração de leptina, por via-subcutânea, restabelecendo os níveis sanguíneos anteriores ao período de jejum, leva à recuperação do gasto energético, do trabalho muscular, do tônus do sistema nervoso simpático e dos níveis de T3 e T4.

Os conceitos, descritos acima sobre a ação da leptina no metabolismo energético, têm levado a estudos em casos de anorexia nervosa, que passou a ser considerada um modelo de análise das relações entre hipoleptinemia e sintomas comportamentais, observados em casos de fome, jejum ou dietas prolongadas.

Todos os pacientes com anorexia nervosa têm comportamentos obsessivos com relação à fome, ritos prolongados e não realísticos com a alimentação, atividade física excessiva e estados depressivos. O objetivo básico do tratamento da anorexia nervosa é a restauração do peso. Quando isto ocorre as pessoas passam rapidamente de um estado de hipoleptinemia para valores até elevados dentro de poucas semanas

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