Novos Biomarcadores do Metabolismo Lipidico São Sugeridos Para a Previsão de Doenças Cardiovasculares.


A ciência e os médicos em geral procuram ao longo dos anos descobrirem através de histórias clínicas e exames bioquímicos quais as pessoas que têm uma maior probabilidade de desenvolverem doenças cardiovasculares.

São célebres os estudos realizados na cidade americana de Framingham cujos habitantes já são seguidos a mais de 40 anos. Destes trabalhos resultou o escore de risco de Framingham que utiliza uma fórmula que
atribui um determinado peso às diversas variáveis, como idade, colesterol, LDL, fumo, diabetes, infarto prévio, etc.

Nos últimos anos, outras fórmulas de cálculo de risco apareceram, utilizando variáveis e recursos que podem ser instalados nos computadores dos consultórios.

Mais do que isto, foram identificados novos biomarcadores que poderão ter um maior significado do que aqueles que estão atualmente em uso.

Em estudo divulgado na semana passada pelo jornal on line da Associação Americana de Cardiologia, pesquisadores da Universidade de Upsalla,na Suécia, procuraram comparar os clássicos marcadores com os novos e a correlação deles com eventos cardiovasculares.

O desenho do estudo compreendeu 431 homens e mulheres saudáveis, sem qualquer evidência de doença cardiovascular e 490 homens e mulheres com doença cardiovascular e que tinham participado de um estudo anterior denominado “Second Framing and fast revascularization during instability in coronary artery disease” (FISC-II trial)

As substâncias estudadas foram: colesterol, LDL,HDL, triglicérides e os novos biomarcadores: Lp-PLA2 e o LDLoxidado. O primeiro é um componente protetor e o outro é aterogênico. O LDL oxidado é envolvido na deposição de colesterol na parede arterial enquanto o HDL na sua remoção.
A descoberta que estas substâncias apresentam níveis elevados em doença coronariana é recente e tem sido sugerido que os seus níveis podem predizer os riscos de futuros eventos cardíacos.

Os resultados deste estudo, após análise estatística, mostraram que a razão LDL oxidado/HDL é o biomarcador que tem maior acurácia na distinção dos pacientes com e sem doença arterial coronariana. Dentre todos os demais elementos estudados é o que está mais associado ao risco de doença cardiovascular.

A acurácia diagnóstica para este biomarcador foi de 87 %, enquato que para a dosagem simples de LDL, esta acurácia foi de 57 %. Classicamente a dosagem simples de LDL colesterol tem sido considerada como um dos principais marcadores de risco cardiiovascular utilizados na prática clínica.

Os níveis de colesterol total, LDL, triglicérides ou de Lp-PLA2 não foram muito úteis em discriminar entre os dois grupos de pessoas estudadas.

A determinação de LDL oxidado ainda não está disponível comercialmente para o uso prático no dia-a-dia da avaliação dos pacientes e poucos laboratórios do mundo começaram a realizar estes exames, mas a disseminação da sua dosagem poderá permitir uma identificação mais precoce daqueles com maior risco de apresentar um evento cardiovascular.
E isso pode ser muito importante para possibilitar intervenções precoces a fim de amenizar as consequências daquela que é a principal causa de mortalidade nos dias atuais, a doença cardiovascular.

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