Obesidade e Meio Ambiente


O Congresso da Associação Americana de Diabetes foi realizado de 4 a 8 de Junho na cidade de Orlando. Trata-se de um dos maiores eventos da diabetologia mundial. O Dr. Walter Minicucci membro do Comissão científica do site da SBD selecionou as duas notícias que publicamos abaixo.

Na palestra sobre: Obesidade, meio ambiente e diabetes, o Dr. Eugene Barret, presidente da Associação Americana de Diabetes (que deixa o cargo nesse congresso), manifestou sua grande preocupação, pelo aumento crescente das estatísticas de diabetes nos Estados Unidos e no mundo. Segundo o Dr. Barret.

Esse aumento, aliado ao aumento da expectativa de vida da população, do custo e sofisticação do diagnóstico e do tratamento do diabetes (com drogas mais novas e tratamento mais complexo e caro), deve tornar o sistema de saúde americano incapaz de se manter.

Segundo Dr. Barret, o aumento da oferta de alimento, do tamanho das porções das refeições, da propaganda das “fast food” e dos refrigerantes, acaba por favorecer a explosão da obesidade nos Estados Unidos. O fato tem ocorrido, principalmente, entre crianças, jovens e populações mais expostas à obesidade como os americanos negros e hispânicos.

A mudança de hábitos, aliada à vida sedentária, provocada pelo novo estilo de vida nas cidades americanas, leva ao aumento da prevalência da obesidade.

Dentre as alternativas, propostas pelo palestrante, para tentar equacionar e resolver o problema, está a Educação e Informação. Contudo a iniciativa isolada não parece capaz de resolver esse problema. Desenvolver drogas novas e mudar o estilo de vida, de acordo com o especialista, seria o melhor caminho.

Dentro da mesma linha de raciocínio, o Dr. Barret destaca os incentivos e a cooperação em programas de exercícios, é um caminho melhor do que a regulação e legislação. O Dr. Barret acredita que restringir a liberdade de escolha é uma opção inaceitável.

Estados Unidos da Obesidade.

Os Estados Unidos estão preocupados com o avanço do ganho de peso de sua população em todos os estados e faixas sociais. A revista Time, que circulou pelo país na semana do Congresso Americano de Diabetes, teve como reportagem de capa, a epidemia da obesidade nos Estados Unidos. Uma das mais respeitadas publicações americanas, intitulou o artigo de “Estados Unidos da Obesidade”.

O tamanho das porções de comida aumenta. Cresce em todo lugar a oferta de alimento em máquinas de auto-atendimento e comer, até dirigindo, é a regra para os americanos.

A procura do tratamento mágico continua, enquanto que soluções lógicas, como a redução do tamanho das porções, restrição ao acesso à comida e conseguir que a população faça mais atividade física, não são realizadas pois pela filosofia americana é impossível interferir na liberdade de escolha. Além disso, outro ponto difícil de ser ultrapassado é o lobby realizado pela indústria do alimento.

Alguns números são alarmantes. Mais de 100.000 cirurgias de obesidade mórbida foram realizadas nos Estados Unidos, no último ano.

E o que tem sido feito para reduzir o problema? Discussão em congressos médicos e na mídia leiga. Nada em matéria de legislação.

Os especialistas brasileiros alertam: no Brasil, apesar do Programa Fome Zero, “estamos indo pelo mesmo caminho”.

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