Tratamento da TMP (Tensão Pré-Menstrual)

Não há tratamentos oficialmente padronizados para a TPM. O que se propõe são formas de controle dos sintomas, que em alguns casos pode ser bastante eficaz. As medicações mais usadas são os antidepressivos, a bromocriptina, espirolactona, progesterona e estradiol. Cada caso deve ser avaliado individualmente para que seja designada um tratamento personalizado.

Inúmeras vitaminas, minerais e aminoácidos quando ministrados de maneira criteriosa podem abolir os desagradáveis sintomas das TPM. Os pacientes não devem usá-los sem orientação, imitando um tratamento preconizado para outra pessoa, já que alguns suplementos pioram ou melhoram as TPM na dependência de dosagens apropriadas e de utilização em dias adequados do ciclo menstrual.

A par da suplementação apoiada em antioxidantes, elementos do complexo B, minerais, alguns aminoácidos e ácidos graxos polinsaturados, também é necessário um ajuste dietético com aumento da ingestão de fibras, redução de gorduras saturadas (gorduras animais) e de hidratos de carbono simples (açúcar e mel principalmente); redução do consumo de sal e cafeína (café, chá, refrigerantes do grupo cola, guaraná); limitar a ingestão de produtos lácteos (leite e derivados). Não se deve abusar de bebidas alcoólicas e recomenda-se a redução do stress e prática de exercícios.

As mulheres com tensão pré-menstrual devem limitar o consumo de alimentos gordurosos e o excesso de proteínas. Um tipo especial de gordura contudo é extremamente útil – o ácido cis-linoleico – encontrado em alguns óleos, especialmente o de girassol. As verduras, legumes, cereais e leguminosas, especialmente os integrais, fornecem grande parte dos elementos nutricionais que propiciam o adequado equilíbrio entre hormônios femininos, corrigindo as TPM.

As associações mais comuns entre a TPM e transtornos emocionais, como já dissemos, é com a depressão, havendo até uma maior progressão de ocorrer esta síndrome pré-menstrual em portadoras de quadros de depressão maior (Graze,1990). Algumas das mulheres que procuram tratamento para a TPM apresentam piora, nessa fase do ciclo, de outros transtornos emocionais pré-existentes, como por exemplo, a bulimia, distimia, transtorno de ansiedade e abuso de substâncias, entre outros (Endicott, 1994).

Antidepressivos e Tensão Pré-Menstrual

O papel da serotonina nos transtornos da TPM tem sido cogitado nos últimos anos. O aumento nos níveis de andrógenos, especificamente aqueles isentos da testosterona podem influenciar o mecanismo serotoninérgico, resultando em disforia, em mudanças do apetite, da disposição e no aumento da irritabilidade (Endicott, 1981, 1982). Essas observações se baseiam em achados sobre uma diminuição da serotonina sanguínea e alterações de sua recaptação durante a fase luteínica do ciclo.

Simultaneamente há, ainda nesta fase do ciclo, um aumento da sensibilidade dos receptores 5-HT1A (serotonina). É, talvez, devido a tais alterações nos níveis de serotonina que se justifica o eficiente papel dos antidepressivos, notadamente dos Inibidores Seletivos da ecaptação da Serotonina (ISS), para o tratamento da TPM. Outros neurotransmissores podem ter também um papel importante na TPM.

Outra evidência na TPM é em relação ao limiar de pânico. O declínio dos níveis de progesterona na fase lútea, juntamente com o aumento do PCO2 resultam sintomas de opressão e falta de ar, sintomas estes envolvidos na sensação de alarme e considerados como sintomas de pânico.

Os antidepressivos Inibidores Seletivos da ecaptação da Serotonina (ISS) têm sido recomendados como a primeira linha de tratamento (Atkins, 1997) para o alívio dos sintomas de alteração do humor na TPM. Sintomas físicos ou a valorização psicológica dos sintomas físicos desse transtorno são também enormemente beneficiados pelos antidepressivos.
A fluoxetina, a sertralina, a paroxetina e o citalopram, todos ISSs, atua favoravelmente nos transtornos disfóricos que acompanham grande número de casos de TPM, notadamente na irritabilidade, angústia e depressão conforme publicação do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos E.U.A (1996).

Estudos duplo-cego mostram uma ação muito melhor dos ISS em comparação ao placebo para o controle do componente emocional da TPM, notadamente quando a disforia é uma manifestação marcante (Yonkers, 1997). Alguns trabalhos mostram que a sertralina, mesmo usada intermitentemente apenas durante os últimos 10 dias do ciclo e na dose de 75 a 100 mg/dia, apresentara uma resposta tão satisfatória quanto se usada durante todo o período (Halbreich, 1997).

Um dos fatores que vêm favorecendo a utilização dos ISS para o tratamento do componente emocional da TPM é a tolerabilidade e escassez de efeitos colaterais significativos e a segurança quanto à dependência (Freeman, 1997).

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